PRA FALAR DA ORIGEM DE ESCOLA DE SAMBA, É PRA QUEM FOI, E NÃO QUEM É!
Contam nossos historiadores, que a origem do Samba Paulista, vem do Samba de Bumbo de Pirapora, de lá pra cá, o Samba evoluiu, novos personagens foram se aglomerando e se incorporando até chegarmos no que estamos hoje!
Quem dos mais velhos, não se lembra dos desfiles das décadas de 50, 60, 70, Rua Direita, Vale do Anhangabaú, Av. São João, Marechal Deodoro, Av. Tiradentes, e foi nesse espaço no ano de 1973, que tudo começou a mudar! Com a transformação dos Cordões em Escolas de Samba, para terem um novo modelo de organização, com regras nos desfiles de São Paulo, nessa década, surgia também, a Sociedade Rosas de Ouro, da Brasilândia, que não é uma Escola de Samba, e sim representante dos antigos desfiles das grandes sociedades.

Reprodução fotográfica Romulo Fialdini/Itaú Cultural Carnaval na Avenida São João (São Paulo, SP), 1935 Claude Lévi-Strauss
matriz-negativo – Acervo Instituto Moreira Salles
Abordo tudo isso pra chegar no momento atual do que foi a composição dos desfiles do grupo especial de São Paulo de 2025. Com suas contradições: nesse desfile, tivemos 7 agremiações de origem das Escolas de Samba, 4 de Blocos, (Gaviões, Mancha Verde, Dragões, e Mocidade Alegre) 2 de origem de Cordões, (Camisa e Vai Vai) uma de origem das grandes Sociedades (Rosas de Ouro) a grande Campeã de 2025. No resultado final, também tivemos um equilíbrio nos desfiles das Campeãs, Rosas, (sociedades) Tatuapé (Escolas) Mocidade e Gaviões (blocos) Camisa Verde (cordões)
Então o titulo acima: “Pra falar de Escola de Samba, é pra quem foi, e não pra quem é,” visa entender o “balaio de gatos, que não viraram tamborim” “quem foi!: antes de 73, com as Escolas de Samba originais, e quem e!, o modelo atual. Quem foi: as batucadas, tinham origens, baseadas nos toques dos Orixas, cada escola tinha seu padrão, e de longe conhecíamos e sabíamos “quem vem lá” pelas batidas das caixas, do surdo e do tamborim, eram as suas identidades. Assisti durante o período desse Carnaval, alguns vídeos explicativos do Mestre Divino, e sua sutileza em mostrar seu atelier de instrumentos, e falar a origem de cada um, esse era do meu tempo. Tenho notado que nas batucadas de agora, tudo parece igual, só se diferem pelas bossas (passagens) não temos mais identidade! A Nenê, que era, nosso modelo de Batucada da Zona Leste, já não é mais, mudaram tudo, não temos mais a satisfação de ir na Vila, pra assistir aquela batucada antiga, cheia de viradas no surdo, a métrica do surdo de corte, que até agora, poucos sabem qual era, o repicar dos tamborins, uma maravilha de se ouvir, mas tudo mudou! E aqui, não culpo quem mudou, mas sim, quem deixou mudar! A Vila era nosso exemplo e orgulho de nosso Samba aqui na Zona Leste! Foi lá que aprendi, como ser um bom diretor de harmonia, e quais as responsabilidades! Quem não se lembra, do Lobisomem, a Rosa, o Canhoto, o Macalé, a Tuquinha, e tantos outros que se foram e que deram o sangue pela “Escola”! Para nossa sorte, ainda podemos matar nossa saudade lembrando de tudo isso, com a “Batucada de Nego Veio”!
Por isso, depois de todo esse relato ai, faço uma pergunta pra falar de Escola de Samba, ´´é pra quem foi, ou pra quem é? Pois vejo hoje muita gente falando “no Meu tempo” mas qual era o tempo dele, era antes de 1973, ou era depois de 1973? Era o tempo dos Cordões, e Blocos, ou tempos de Escola de Samba? Ai eu vou concordar com o Junior do Peruche, Pra tudo tem tempo!
Eu sou do tempo antigo!
Vocês se lembram do “Lilico” “Tempo bom Não Volta Mais”!
Gilson Negão – Velha Guarda, Embaixador do Samba e Cidadão Paulistano!